Do fundo do baú
Estava organizando algumas coisas e encontrei este poema, me fez lembrar tanta coisa. Eu fiz este poema numa aula de literatura ainda no ensino médio, em 2003. Como passou rápido…
Canção do Exílio
Minha Terra tem palmeira
Onde sombra não há
E o sabiá
Já não por cá
Eu era da Terra
Das várzeas que tinham flores
Com vidas que tinham amores
Hoje estou prisioneiro na Esfera
Que os bosques são sem vida
E cada um tem uma ferida
No meu céu tem avião
Nossas aves não gorjeiam
Nossas vidas só tem uma canção
Na cela que nos prenderam
Estou no exílio entre os azuis
Sem desfrutar dos primores
Da Terra que já foi de Santa Cruz
No meu esconderijo, em cismar
Olho as estrelas e a Deus emploro
Que na Terra da palmeira volte a estar
As vidas com amores
E o canto da sabiá
Em cismar sozinho à noite
Debaixo do manto
A canção do exílio, eu canto.
Achei este poema a muito tempo atras no verso de um cartão telefônico.
Coisa louca, né?
POR QUÊ?
Por que te quero, se és tão banal ?
Por que me queres, se não sou teu modelo
Por que nos unimos num braço longo,
Se somos apenas pouco menos que estranhos ?
Por que me demoro lembrando teu beijo,
Vivendo meus dias tão plena de ti ?
Por que sempre voltas faminto e carente
Se somos apenas pouco menos que estranhos ?
Por que nos falamos através do silêncio
De coisas secretas que só nós sabemos ?
Por que sempre achamos momentos perfeitos
Se somos apenas pouco menos que estranhos ?

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